Recebi um laudo psicológico desfavorável no processo. O que posso fazer

Recebi um laudo psicológico desfavorável no processo. O que posso fazer?

Receber um laudo psicológico com conclusões desfavoráveis em um processo judicial pode gerar preocupação, especialmente quando o documento aborda questões relacionadas à guarda, convivência com os filhos, competências parentais,...

Receber um laudo psicológico com conclusões desfavoráveis em um processo judicial pode gerar preocupação, especialmente quando o documento aborda questões relacionadas à guarda, convivência com os filhos, competências parentais, violência ou vínculos familiares.

Em alguns casos, a primeira reação é procurar maneiras de “contestar” o resultado.

Entretanto, antes de concordar ou discordar de uma conclusão psicológica, existe uma pergunta anterior e tecnicamente mais importante:

Como essa conclusão foi construída?

Um laudo psicológico não deve ser analisado apenas pelo seu resultado. É necessário compreender quais procedimentos foram realizados, quais informações foram consideradas, quais hipóteses foram investigadas e se existe coerência entre os dados apresentados e aquilo que a profissional concluiu.

É nesse momento que a atuação de uma Psicóloga Assistente Técnica pode ser importante.

Um laudo psicológico não é apenas uma opinião

Uma avaliação psicológica realizada no contexto judicial deve seguir critérios técnicos, científicos e éticos.

Isso significa que as conclusões apresentadas precisam estar fundamentadas nos procedimentos realizados e nos dados obtidos durante a avaliação.

Por isso, uma análise técnica não deve partir simplesmente da pergunta:

“Eu concordo com o que a perita escreveu?”

A pergunta mais adequada é:

“Os elementos apresentados no laudo permitem sustentar tecnicamente essa conclusão?”

Essa diferença é fundamental.

Discordar pessoalmente de uma conclusão não significa que ela esteja tecnicamente equivocada. Da mesma maneira, o fato de uma afirmação estar registrada em um laudo psicológico não significa que ela esteja automaticamente acima de qualquer discussão técnica.

O que pode ser analisado em um laudo psicológico?

A Psicóloga Assistente Técnica pode examinar diferentes aspectos do documento e da metodologia descrita.

Entre eles:

  • quais procedimentos foram utilizados;
  • se os procedimentos são adequados às questões que deveriam ser investigadas;
  • quais pessoas e fontes de informação foram consideradas;
  • se informações relevantes dos autos foram incorporadas à análise;
  • se diferentes hipóteses explicativas foram consideradas;
  • se fatores de risco e de proteção foram suficientemente investigados;
  • se existe coerência entre os dados descritos e as conclusões;
  • se determinadas afirmações ultrapassam aquilo que os dados permitem concluir;
  • se os conceitos utilizados encontram respaldo técnico e científico.

Em uma avaliação familiar, por exemplo, determinadas conclusões podem exigir a compreensão da história dos vínculos, da distribuição dos cuidados, das mudanças ocorridas após a separação e das características das relações estabelecidas ao longo do tempo.

Uma fotografia do momento atual nem sempre é suficiente para explicar como determinada dinâmica foi construída.

E se a avaliação tiver considerado apenas parte da história?

Esse é um aspecto especialmente relevante em processos familiares.

Comportamentos humanos possuem múltiplas possibilidades de explicação.

Uma criança que demonstra resistência à convivência com um dos genitores pode estar reagindo ao conflito entre os adultos, mas também pode apresentar questões relacionadas à própria história daquele vínculo, experiências anteriores, medo, dificuldades de adaptação, características desenvolvimentais ou outros fatores.

Da mesma forma, comportamentos apresentados por mães e pais durante uma avaliação precisam ser compreendidos dentro do contexto em que aparecem.

Quando uma hipótese é adotada precocemente e outras possibilidades deixam de ser investigadas, existe o risco de interpretar todas as informações seguintes a partir de uma única explicação.

Uma análise técnica permite verificar se houve abertura suficiente para hipóteses alternativas.

O parecer psicológico pode discordar da perícia?

Pode haver divergência técnica, desde que ela seja fundamentada.

O objetivo de um parecer psicológico não é declarar simplesmente que a perícia está “certa” ou “errada”.

O parecer pode analisar aspectos específicos da avaliação, demonstrar limitações metodológicas, discutir interpretações apresentadas e indicar questões que necessitam de maior investigação.

Também pode concluir que determinados aspectos da perícia foram adequadamente conduzidos.

A função da Assistente Técnica não é encontrar falhas a qualquer custo.

Seu compromisso deve ser com aquilo que pode ser sustentado a partir da Psicologia.

O contraditório também pode ocorrer no campo técnico

Quando uma avaliação psicológica passa a integrar um processo judicial, suas conclusões podem influenciar a compreensão do Juízo sobre aquela família.

Por isso, é importante que aspectos técnicos também possam ser discutidos.

A advogada ou o advogado poderá questionar juridicamente a prova.

A Psicóloga Assistente Técnica poderá examinar questões próprias da Psicologia: metodologia, interpretação dos dados, hipóteses consideradas, literatura científica e limites das conclusões apresentadas.

É o chamado contraditório técnico.

O momento de procurar Assistência Técnica também importa

Embora seja possível procurar uma Psicóloga Assistente Técnica após a apresentação do laudo, o acompanhamento pode começar antes da perícia.

Quando a avaliação ainda será realizada, a Assistente Técnica pode estudar os autos, identificar questões relevantes e elaborar quesitos que auxiliem a investigação.

Quando o laudo já foi apresentado, a atuação passa a se concentrar na análise da avaliação realizada e na identificação da necessidade ou não de manifestação técnica.

Por isso, cada caso precisa ser examinado individualmente.

Um laudo desfavorável não deve ser analisado apenas porque é desfavorável

Talvez este seja o ponto mais importante.

O objetivo de uma análise técnica não é modificar uma conclusão simplesmente porque ela prejudica uma das partes.

É verificar se aquela conclusão foi construída por meio de um processo avaliativo metodologicamente consistente e se encontra sustentação nos dados apresentados e no conhecimento científico disponível.

Em processos que envolvem vínculos familiares, proteção, guarda ou convivência com crianças, as consequências de uma interpretação psicológica podem ser significativas.

Por isso, a discussão também precisa ser tecnicamente qualificada.

Foi apresentado um laudo psicológico em seu processo e existem dúvidas sobre as conclusões?

A Psicóloga Assistente Técnica pode realizar uma análise técnica do documento, dos procedimentos descritos e da relação entre os dados apresentados e as conclusões alcançadas, avaliando a pertinência da elaboração de parecer psicológico.

Conheça meu trabalho com análise de laudos e pareceres psicológicos.