A violência contra crianças e adolescentes é um fenômeno complexo, multifacetado e profundamente prejudicial. Suas consequências podem ser físicas, emocionais, cognitivas e sociais, afetando o desenvolvimento e a vida adulta das vítimas. Muitas vezes, essa violência ocorre justamente em ambientes que deveriam oferecer proteção e segurança. Nesse contexto, a Psicologia Jurídica desempenha um papel essencial ao identificar abusos, avaliar danos e colaborar com o sistema de justiça para garantir a proteção integral.
A violência contra crianças e adolescentes se manifesta principalmente em quatro categorias, todas capazes de causar impactos severos.
A violência física envolve o uso da força para causar dor ou lesão — espancamentos, empurrões, queimaduras ou sacudidas. Além de ferimentos como hematomas, fraturas e lesões internas, podem emergir consequências emocionais profundas, como medo constante, ansiedade, retraimento e depressão.
A violência psicológica é uma das formas mais silenciosas e, ao mesmo tempo, devastadoras. Não deixa marcas visíveis, mas produz feridas emocionais duradouras. Inclui humilhações, insultos, ameaças, rejeição, chantagens emocionais e manipulações. Seus efeitos podem envolver ansiedade crônica, baixa autoestima, isolamento social, transtornos alimentares e, em casos graves, ideação suicida.
O abuso sexual abrange qualquer ato de conotação sexual imposto ou induzido, podendo envolver toques, exibição, exploração sexual ou produção de material pornográfico. Os danos físicos incluem lesões genitais, infecções sexualmente transmissíveis e até gravidez precoce. Psicologicamente, os impactos são profundos: TEPT, depressão, culpa, vergonha, medo, dificuldades de confiança e comprometimento da vida afetiva e sexual na fase adulta.
A negligência consiste na omissão dos cuidados básicos e essenciais — alimentação, higiene, proteção, saúde, supervisão, educação e afeto. Apesar de não envolver agressão direta, é uma das formas mais frequentes de violência. Pode resultar em desnutrição, doenças, atrasos no desenvolvimento motor e cognitivo, além de sentimentos persistentes de desvalorização, abandono e insegurança emocional.
A Psicologia Jurídica tem papel crucial no enfrentamento desse cenário. A psicóloga jurídica avalia fatores de risco, mensura os danos e compreende os impactos da violência no desenvolvimento da criança ou do adolescente. Essa atuação técnica oferece suporte estratégico ao sistema de justiça, fortalecendo medidas de proteção e garantindo que a criança seja escutada e acolhida.
É importante reconhecer um ponto sensível dessa realidade: em muitos casos, são as mães que identificam os primeiros sinais de violência e, paradoxalmente, são também as primeiras a serem desacreditadas. Em um sistema ainda permeado por vieses de gênero, mulheres podem ter sua preocupação minimizada, interpretada como exagero ou utilizada contra elas em disputas familiares, especialmente quando o agressor é o ex-companheiro ou algum membro da família.
Se você, mulher, está percebendo indícios de violência contra seu filho ou filha e sente que sua voz não está sendo ouvida, saiba que não precisa enfrentar isso sozinha. O acompanhamento de uma psicóloga jurídica pode ser decisivo para validar sua preocupação, orientar seus próximos passos e produzir documentos técnicos que fortaleçam a proteção da criança. A prioridade máxima deve ser — sempre — a segurança e o bem-estar da vítima.
Perguntas frequentes:
01) Quais são os principais danos causados pela violência psicológica?
A violência psicológica, apesar de invisível aos olhos, causa danos profundos. Entre eles estão ansiedade crônica, baixa autoestima, depressão, retraimento social, dificuldade de autoconceito e, em casos mais graves, automutilação e pensamentos suicidas. A criança pode crescer sentindo-se desvalorizada, o que impacta sua saúde mental e sua capacidade de construir vínculos saudáveis na vida adulta.
02) O que é negligência e por que ela é considerada uma forma de violência?
A negligência ocorre quando os cuidadores deixam de oferecer cuidados básicos — alimentação, higiene, proteção, saúde, supervisão ou afeto. É considerada violência porque a ausência de cuidados fundamentais compromete tanto a integridade física quanto o desenvolvimento emocional da criança. Os danos variam desde desnutrição e doenças até prejuízos cognitivos, dificuldades escolares, insegurança emocional e problemas na formação de vínculos.