A importância estratégica dos quesitos

No campo da psicologia jurídica, especialmente no trabalho de uma assistente técnica em litígios, os quesitos são ferramentas técnicas fundamentais. Eles consistem em perguntas oficiais que as partes do...

No campo da psicologia jurídica, especialmente no trabalho de uma assistente técnica em litígios, os quesitos são ferramentas técnicas fundamentais. Eles consistem em perguntas oficiais que as partes do processo direcionam à perita nomeada pelo tribunal, e têm como objetivo orientar a avaliação psicológica, destacando as áreas que precisam ser analisadas com profundidade conforme as particularidades do caso.

Na prática, os quesitos garantem que aspectos relevantes não sejam ignorados durante a perícia. Isso é especialmente importante em processos que envolvem disputas de guarda, violência doméstica, saúde mental dos genitores, vínculos afetivos, comportamentos parentais e possíveis riscos à integridade emocional de crianças e adolescentes. A elaboração dos quesitos exige leitura minuciosa dos autos, compreensão da dinâmica relacional entre as partes e domínio técnico para formular perguntas claras, objetivas e juridicamente pertinentes.

Quando a psicóloga jurídica trabalha com perspectiva de gênero, os quesitos tornam-se ainda mais estratégicos. Essa abordagem permite identificar como desigualdades estruturais, violências simbólicas e relações de poder impactam diretamente as mulheres envolvidas no processo. Em casos de guarda compartilhada com histórico de violência doméstica, por exemplo, é fundamental incluir quesitos que investiguem riscos à mulher e aos filhos, comportamentos controladores do genitor agressor ou até mesmo indícios de uso indevido de alegações de “alienação parental” como forma de retaliação.

Os quesitos direcionam o olhar da perícia a elementos que, sem esse direcionamento, poderiam não ser devidamente explorados — revelando nuances essenciais para uma compreensão justa, contextualizada e protegida do caso. Por isso, a qualidade dos quesitos pode influenciar diretamente o resultado da perícia e, consequentemente, as decisões judiciais.

Você, mulher ou advogada que atua na defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade, pode contar com o suporte de uma psicóloga jurídica para a elaboração de quesitos. Eles são muito mais do que simples perguntas: são instrumentos técnicos de proteção, capazes de revelar violências ocultas, garantir a escuta sensível e fortalecer a busca por decisões judiciais justas. Quesitos embasados em evidências, literatura especializada e perspectiva de gênero são um diferencial poderoso que pode transformar o rumo de um processo.

Perguntas frequentes:

01) Como a perspectiva de gênero influencia a elaboração dos quesitos?
A perspectiva de gênero permite identificar desigualdades, violências e dinâmicas de poder que impactam mulheres nos processos judiciais. Com esse olhar, os quesitos podem investigar, por exemplo, histórico de violência doméstica, comportamentos controladores do genitor, riscos à mulher ou aos filhos e até tentativas de silenciamento, manipulação ou retaliação emocional.

02) Por que os quesitos são estratégicos na defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade?
Porque eles direcionam o olhar técnico da perícia para aspectos que geralmente passam despercebidos. Em casos de violência, os quesitos podem revelar padrões de abuso, negligência ou controle que não emergiram espontaneamente. Isso fortalece a argumentação jurídica e contribui para decisões mais protetivas e alinhadas ao melhor interesse da mulher e da criança.


03) Como a psicóloga jurídica pode colaborar com advogadas na elaboração de quesitos?
A psicóloga jurídica, especialmente quando atua com perspectiva de gênero, oferece suporte técnico na construção dos quesitos, traduzindo elementos subjetivos dos autos em perguntas objetivas, precisas e juridicamente adequadas. Essa parceria qualifica o processo, aprofunda a análise psicológica e torna a atuação jurídica mais estratégica e efetiva.